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Nos últimos 25 anos, Portugal tem vindo a fazer progressos no que diz respeito à segurança rodoviária, mas, em 2019, mais de 600 pessoas perderam a vida nas estradas do nosso país. Admitindo que nenhuma vida perdida é aceitável, em qualquer tipo de transporte, o único número que devemos aceitar é o zero.

Foi com base neste número que nasceu a Visão Zero 2030, a nova Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária 2021-2030 que visa dar seguimento às medidas implementadas ao longo dos anos, pela definição de novas metas, assumindo assim um compromisso com toda a sociedade.

Para que seja efetivamente um compromisso e, para que todos os elementos do sistema rodoviária possam agir de forma consciente e conjunta, foi criada pela ANSR, a plataforma Visão Zero 2030, com o objetivo de divulgar a nova estratégia, mas, mais importante do que a divulgação, permitir que a sociedade possa dar o seu contributo, consultar os contributos já enviados e acompanhar a sua evolução, num processo bastante transparente e de proximidade onde todos se podem envolver e, para que tal fosse possível, foram criados cinco pilares: Gestão da Segurança Rodoviária, Utilizadores da Rodovia, Infraestrutura Rodoviária, Veículos e Assistência e Apoio à Vítima, podendo assim, contribuir para todos eles ou contribuir de forma mais específica. Na verdade, sempre que nos dão a possibilidade de fazer parte de uma ação deste nível, de contribuir, expor as dificuldades que vivemos no dia a dia, quer como condutor ou como peão e, participar de forma ativa no desenvolvimento do país, é nosso dever fazê-lo. Podes dar o teu contributo aqui.

Esta nova estratégia tem por base o “Sistema Seguro” que assenta numa variedade de medidas para evitar as mortes e os feridos graves, causados por erros humanos. Este sistema foi introduzido pela Organização para a Cooperação para o Desenvolvimento Económico (OCDE) e pelo Fórum Internacional de Transportes (IFT) em 2008, e defende que ninguém deve morrer ou ficar gravemente ferido em consequência de um acidente rodoviário, partindo do princípio que as pessoas cometem erros que podem levar à ocorrência de acidentes, o corpo humano tem uma capacidade limitada de resistência a colisões, a segurança é uma responsabilidade partilhada por quem planeia, constrói, gere e usa tanto as vias quanto os veículos e todos os elementos do sistema devem ser reforçados em combinação.

Esta abordagem é a componente chave da resolução da Organização das Nações Unidas de 2020, sobre segurança rodoviária e é um pilar dos esforços europeus para melhorar a segurança rodoviária. O Quadro da Política Europeia de Segurança Rodoviária 2021-2030 afirma que “precisamos de implementar o Sistema Seguro a nível da EU”. Sabe mais sobre o SS aqui.

O Grupo SD já preparou o seu contributo que em breve deverá estar disponível na plataforma, para poder ser consultado, contudo, partilhamos convosco os pontos que consideramos fundamentais.

É para nós de máxima importância que se dê continuidade aos objetivos dos planos implementados anteriormente, quer na melhoria contínua daquilo que se conseguiu alcançar, quer na revisão dos objetivos que não se conseguiram alcançar e, implementação de novos, apontando como pontos fundamentais a formação e a fiscalização.

No que diz respeito à formação, consideramos que deve ser obrigatória a formação para todos os utilizadores da via pública, não só dos condutores de automóveis pesados de mercadorias/ passageiros que já contam com essa obrigação mas, também para os condutores de automóveis ligeiros e motociclos, sugerindo uma formação aquando da renovação dos títulos de condução, com o objetivo de rever regras de trânsito, consciencializar para a complexa tarefa da condução, cujos comportamentos incorretos já estão automatizados e, com a demonstração dos valores atualizados da sinistralidade rodoviária, bem como a formação periódica das entidades fiscalizadoras. Relativamente à fiscalização, considera-se que deve haver um aumento da mesma, nas mais diversas áreas de atuação para que os infratores não se considerem impunes perante atos que podem tirar vidas.

“Se no final de cada dia de trabalho conseguirmos salvar uma vida, estaremos a dar um enorme contributo para um futuro melhor.”

ANSR