Tendo em conta as notícias que surgem diariamente nos meios de comunicação social, palavras como Desmotivação, Monotonia, Fadiga física ou Stresse, parecem estar bem longe das principais preocupações do comum empresário do nosso país.

Estas palavras traduzem o que se designa por Riscos Psicossociais e a par dos riscos físicos, químicos e biológicos são alvo de rigorosa avaliação e controlo em termos de Higiene e Segurança laboral.

Refiro que surgem a par, no entanto, esta tipologia de riscos é muitas vezes delegada para segundo plano, com a justificação da apertada gestão de recursos promovida pela maioria das empresas nacionais.

Esta estratégia organizacional parece, contudo, não acompanhar a realidade dos factos e estudos realizados:

Segundo a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA), o stresse laboral é o segundo problema de saúde mais referido na Europa — após as perturbações muscu­loesqueléticas. Cerca de metade dos trabalhadores considera-o comum no seu local de trabalho, mas cerca de cada 4 em 10, pensa que o stresse não é devi­damente abordado.

Mais de metade dos dias de tra­balho perdidos pode ser impu­tada ao stresse relacionado com o trabalho. Sendo que, habi­tualmente, as ausências relacio­nadas com o stresse tendem a ser mais prolongadas do que as relacionadas com outras causas.

Números apresentados recen­temente pela Ordem dos Psicólogos Portugueses referem que os custos diretos e indiretos com o stresse laboral em Portugal ultrapassam os 300 milhões de euros ano. Ao nível europeu, as despesas relacionadas com tra­tamentos médicos de trabalha­dores e perdas de produtividade relacionadas com os riscos psi­cossociais ultrapassam os 240 mil milhões de euros anuais.

Como é possível assim, que apesar de cerca de 8 em cada 10 dirigentes europeus mani­festarem preocupação com o stresse nos respetivos locais de trabalho; menos de 30% admi­tam ter implementado procedi­mentos para lidar com os riscos psicossociais?

Tendo em conta que mudanças simples, muitas vezes fazem toda a diferença, será que os benefí­cios desta implementação não superam os custos que lhe estão imputados?